quinta-feira, 28 de abril de 2011

QUE FUTURO HÁ NESTES DIAS

Que futuro há nestes dias
presos em minha mão, e eu
preso na minha gaiola de carne,
culpo as muriçocas por minhas insones noites,
mas desconfio que quem não desliga 
sou eu, minha cabeça.
Meu cérebro sonda o horizonte
e o enigma se fecha.

EM PAR, ÍMPAR

segunda-feira, 25 de abril de 2011

8 MILHÕES

Tenho ouvido, lido, que a gov.Roseana resolveu homenagear os 400 anos de São Luis com um megassamba, um megadesfile feito por uma megaescoladesamba no Rio de Janeiro e do Rio de Janeiro.
Estas coisas me deixam intrigado. Seria a gov. Roseana uma agente secreta do governo do Rio? Ou pior, será que clonaram a governadora e o que temos é um clone a serviço dos interesses de outro estado da Federação?
Como homenagear uma cidade (São Luis) valorizando outra (Rio de Janeiro)?
Pensei, pensei e fui pesquisar: provavelmente São Luis não tem sambista (Zé Pivô, Patativa, Veloso, Chico da Ladeira e mais de 100 que não sou capaz de enunciar) e não tem escola de samba (Turma do Quinto, Favela, Marambaia, Flor do Samba & outras quantas).  Não foi por isso.
Pensei o carnaval de São Luis é fraco não tem blocos de ritmos, charangas, blocos afros, tambor de crioula, tribo de índio. Não foi por isso.
Cada vez mais intrigado pensei: vai ver o povo da cidade não curte carnaval, não sai de casa e usa os dias do reinado de Momo para fazer meditação transcendental. Não foi por isso.
Porque foi?
Porque utilizar o dinheiro fora do estado, engrandecer o que já é grande e nos deixar a acompanhar, pela televisão, a folia carioca e dentre todos os enredos e sambas lá no meio do sambódromo uma escola cantará a beleza de nossos casarões e azulejos. Claro, vibraremos como patriotas com esta grandeza de Oz.
Seria mais interessante usar o recurso para fazer um carnaval quatrocentão. Com músicas desenvolvidas por seus menestréis, cantando os amores, a beleza e a natureza de São Luis.
Pensem as escolas de samba todas abordando o aniversário, a História da cidade. Todo o carnaval decoração e brincadeiras aludindo ao fato histórico, todas alavancadas pela inserção de mais dinheiro em seus orçamentos. & a mídia local, global divulgando nossas ladeiras e alegrias.
Pensem um ano inteiro de programações culturais, esportivas aludindo ao histórico aniversário.
Criação de logomarcas, suvenires, que incrementem o comércio e o turismo aqui na nossa ilha. O dinheiro suado, captado pelos dacronianos impostos e taxas, reinvestido na própria cidade circulando e fazendo a alegria dos maranhenses.
Tantas idéias e foram logo ter uma de levar o dinheiro pra fora do estado, onde passados os dias de Momo ninguém mais se lembrará da cidade encravada numa ilha do norte do Brasil. Façam o teste de retina na gov. Roseana, acho que descobriremos um clone sem alma a serviço de outros interesses.


VIRALATA





Este cão
que ora 
ladra, ladra
às minhas costas.

(antes,
     frente à frente,
     o rabo entre as pernas,
     passei-lhe o passo.)

Já não vê a
lua que reina
no escuro 
fundo da noite.

"E quando chega a madrugada",
teu corpo dorme maciomorno,
divide-o comigo.

EM PAR, ÍMPAR

sábado, 23 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MARXISMO

Do útero da terra,
o ofício do homem
arranca seiva de laranjas e abacaxis
transforma suor em pão.

O ofício do homem
flecha caiapó
risca o céu transparente
em busca do coração burguês

EM PAR ÍMPAR

PEQUENO BLAU



Pequeno Blau é um cara sábio.
Nunca duvida.
É tudo, Sim.
É tudo, Não.
Muito gostoso viver com sua pequena capacidade de dissimulação
pois quando dissimula
não é verdadeiro
é um ator tão pequeno,
tão sem máscara.
Em seu gostoso papel de dissimulador:
finge que é fome
finge que é dor,
que nós adultos,
mestres na arte do fingimento
logo detectamos-lhe o truque infanto
sem labirintos, becos sem saída.
Palpável. Sábio.
Diante do nosso.
Impalpável. Mestre.
Do aquele que olha, busca, persevera.
Envolvido. Aprendiz.

CAFÉ DO TEMPO (inédito)