sábado, 17 de dezembro de 2011

ON THE ROAD

Sigo sem dramas e paixões
enorme iceberg
acorrentado ao vendaval de Macondo,
on the road.

Persigo o pulsar,
o instante, a chama,
o incêndio dialético,
a vida a 10 trava.

Ando.

EM PAR, ÍMPAR

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

João Lisboa

Há ônibus arluindo a pazlisboa
o Carmo mantém o útero frio,
os séculos indiferentes à fuligem
ácida em seus aulejos.

Rei dos Homens e Boquinha
- eternos do abrigo -
embrulham-se na algazarra dos motoristas de táxi.

Estaciono na sombrafontemaravilhosa
enquanto o pega pinto roladeirabaixo estômago.

Resta o vento morno do verão
a espantar o frio invernal.

EM PAR, ÍMPAR

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A LÍNGUA

A língua
púrpura contingência
do meu ofício,
oferta-me madrugadas,
onde
tropeço-me em
amnésicas voltas à caverna:
abrigoobservatório.
Vejo
a imensa exaustão humana,
princípio de realidade,
adia o prazer.
Sempre há dia.
Amanhã é morte.
Vida se vive aqui.
Explodem-me cogumelos,
emoção sax afim.

EM PAR, ÍMPAR

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ESCALDO

A vida é que se revela
na lição de cada esquina.
Na armação do encontro
os escaldos sem rima
deixam-nos desnorteados
quais os escaldos de menino
preso um pouco mais ao fundo
enquanto as ondas quebram
em meus ouvidos submersos
e os pulmões desejam o ar.
As mãos que me submetem
afrouxam a pressão
e me levantam a cabeça.
Inalo o ar que posso
no soluço afogado.
Era só brincadeira.

Os de vera, verídicos, existenciais,
só nos ensinam:
Ora em baixo.
Ora em cima.

O FRUTO DA IRA É DOCE.

domingo, 4 de dezembro de 2011

SOBRE OS CINZAS

um olhar de Wagner Alhadeff

A ilha de São Luis é cercada por um horizonte cinza.
O olhar viajando do zênite ao poente
contempla o brilho azulceleste da abóbada
misturar-se ao branco das nuvens
e adquirir um tom rosapálidocinza
até fundir-se à cerração do mar
e à visão longínqua do continente alcantarense:
Vê salcinza.

O FRUTO DA IRA É DOCE

sábado, 3 de dezembro de 2011

RELEITURA

O novo é a leitura do velho,
o novo é a desleitura do velho,
o novo é a nova visão do velho,
o novo é o velho novamente,
o novo é a leitura do velho.

O FRUTO DA IRA É DOCE

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PEDRINHAS

Talvez o capitalismo seja
reflexo do que somos individualmente
e não o inverso.
Acredito ser verdade que
se nos mudarmos,
sa alterarmos caducas formas de ver e enfrentar a vida,
se efetivamente sairmos da barbárie,
se nossso imaginário for povoado de idéias eticamente válidas,
se ao animal
somarmos o verniz do sublime, mudaremos.
Caro Leitor
perdõe-me a inexatidão com que me exprimo,
posto que no ofício de poeta
as palavras primas, argamassa da poesia,
sujeitam-me ao sinal do signo.
Toda elevação humana é válida,
atingiremos por dentro o sistema
na bricolagem sociondividual
e assim transformados, transformar.
Há pequenas coisas a serem feitas.
Um forno em Pedrinhas,
para assar cerâmica trabalhada
por prisioneiros orientados por uma artista
que se ver obrigada a quebrar as peças manufaturadas
para reciclar o barro e manter os detentos
atentos ao descortinar do dia.
Falta forno. Falta barro.

O FRUTO DA IRA É DOCE