segunda-feira, 18 de julho de 2011

COSMOS

Cada
segundo
é
vivido
como
ele
é:
algo que se perde.
Cada
segundo
é
vivido
como
ele
é:
algo que se pede.
O FRUTO DA IRA É DOCE

quinta-feira, 14 de julho de 2011

BELA DA TORRE

Espera-me na alta torre
uma linda donzela
meiga e sorridente.

Por púrpura cortesia  de seu gentil coração
abre-me as portas de seu morno refúgio
onde o risorrio deságua em caríciascarinho
e lá fico, até que a aurora anuncie os seus galos.

Acorda-me temerosa que o mundo 
desencante o encanto do noturno visistante
e com rápidos gestos despede-me.

Fora, farejo o ar.
Ainda em meus dedos há o seu perfume.

O FRUTO DA IRA É DOCE

terça-feira, 12 de julho de 2011

NAVEGANTE

A vida é uma vela ao vento.
Velejo. Leio. Elejo. Jogo.
Velejas. Lês. Eleges. Ages.
Produzimos nosso encontro.

Cada dia guarda sua dose in de certa incerteza.
Vejo-me poeta, profeta, perscruto horizontes,
espero desvelar portos.

Minha pequena nau, azul, blau
conduzo e conduz-me.

O FRUTO DA IRA É DOCE

sábado, 9 de julho de 2011

AO PÓ VOLTAREI

Sei que  sou matéria.
Matéria degenerativa,
degenerada,
matéria matéria,
galo galo, Gullar.
Matéria material:
unhas, cabelos, calvície.

Matéria oceano,
matéria mar,
matéria da mesma das galinhas
que nada deseja senão à natureza ver-se igual:
cósmico e belo.

Para que eu possa 
na meada das palavras
catar os ícones desta era
e na bacia das idéiaságua
com habilidade artesã
recriar, refazer o imaterial,
o sonho, o sublime.

O FRUTO DA IRA É DOCE

sexta-feira, 8 de julho de 2011

OCO

Oco
coco
oculta
água
pura.

coco
oculta
no
oco
água do próprio coito

EM PAR, ÍMPAR 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CONFISSÃO

Eu,
imbecil,
que agora
escovo  as esperanças,
enfuno o ar militante
e despejo o vento planfetário
nas ruas da cidade,
não esqueço:
o sonho é a materialização da vontade,
a vida maior que o discurso,
revolucionário, a destruição
de qualquer poder.

EM PAR, ÍMPAR

sexta-feira, 1 de julho de 2011

MUITO ALÉM DO BEM E DO MAL

Meu pão é duvidoso:
ronda-me a fauce da fome.
Ainda busco ofício operoso
que a vida dê nome.

Distante da heresia,
agônico viajante,
bicho tinhoso,
solitário diabo urrante.

Na vida leio a vida.
Assim a estrada está dividida:
de um lado a borboleta;
do outro a margarida.


EM PAR , ÍMPAR